terça-feira, 18 de maio de 2010

CAIXINHA DE MÚSICA

Eu tinha uma caixinha de música. Com uma bailarina que dançava num espelhinho.
Ganhei de aniversário numa época em que ganhar porta-jóias era o presente mais comum. Mas não um em forma de caixinha de música. Esse era um presente muito especial.

Minha mãe tinha uma “de adulto” e lógico que a dela era mais bonita e legal. Era só dar corda, abrir a caixinha e Pour Elise tocava e a bailarina dançava(dar corda é algo que me soa tão antigo que nem sei se está certo).

Queria muito uma hoje, mas não sei nem se ainda existe pra vender.
Se você perguntar por uma caixinha de música numa loja, vão achar que você é uma cafona que não sabe o que é um ipod.

Eu já quis ser a bailarina da caixinha…e me transformei na música da bailarina.

A quem me lê e me ouve,

Um beijo.

ALANA.

terça-feira, 4 de maio de 2010

FANTASIA REAL


Meus pais não me prepararam para as falhas do ser humano. Sempre me protegeram das maldades e talvez, da realidade. Acho que cresci acreditando que tudo sempre daria certo, eu seria sempre feliz e realizaria todos os meus sonhos.

Não sei se o mais certo é criar as crianças sem fantasias e prepará-las para a realidade, ou deixar elas terem infância com direito a Papai Noel, Fada do Dente e Príncipe Encantado.

O choque com a realidade é cruel. Mas tirar a fantasia da criança não é mais?
Eu talvez ainda tenha um pé no meu mundo de Alice. No meu mundo, as pessoas com bom caráter têm falhas porque são humanas mas podem se transformar em Papai Noel no fim do ano. O mundo vai mudar mas vai demorar muito ainda, e meu “príncipe”é encantado mas cheio de defeitos. Meus sonhos são difíceis mas só dependem de mim.

A fantasia faz você sonhar e acreditar. A única coisa que uma criança de rua tem, é a fantasia . E ninguém tem o direito de tirar isso de uma criança.

Eu , este ano, estou realizando um sonho de criança e que venho batalhando há anos. Não sei se eu tivesse crescido achando que a vida seria injusta e cruel, eu teria acreditado tanto. E talvez não tivesse lutado tanto pra que tudo estivesse acontecendo.

Já levei muita pancada, tropecei muito, levei muitos empurrões e talvez tenha doído bem mais do que se eu tivesse preparada pra eles.
Mas só sei que hoje não acredito em duendes, mas acredito e sempre acreditei em mim. E tem dado certo.

A quem me lê, me ouve e me assiste,

Um beijo.

ALANA.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

BAILARINA

Eu sou uma bailarina.
Comecei a dançar com dois anos de idade, quando minha mãe me colocou na aula de ballet. E foi aí que a música despertou pra mim. Sei que ela nasceu comigo, mas foi a dança que fez meu corpo despertar pra ela. Aos sete entrei na ginástica rítmica, onde cheguei a competir.

Mais tarde, com uns onze anos, quando já estudava piano, foi ao contrário: a música me trouxe a dança. Entrei na aula de ballet novamente. Eu queria expressar o que a música fazia comigo. E não consegui chegar aonde eu queria, porque tinham muitas regras e passos engessados. Aí fui para o jazz, mais libertador.

Depois disso dancei muita na vida também: dei muitas piruetas pra me livrar de problemas,cambalhotas comemorativas,fiz vários spacattos com a grana quando estava curta, e fiquei muito na meia-ponta para alcançar um beijo.

Hoje, anos depois, estou voltando para a dança. Não mais somente pra me expressar, mas agora talvez para ilustrar o que digo nas minhas músicas. É o “esporte” que mais me dá prazer....porque claro: a música está presente.

E uma coisa é certa: uma vez bailarina, pra sempre bailarina.

Beyoncé que se cuide! :P

A quem me lê, me ouve e me assiste,

Um beijo.

ALANA.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Senhor, olhai por mim. Mas se não der, me dá uma piscadinha?

Senhor,

obrigada por ter me feito nascer mulher num mundo onde parece que mesmo os que não são, querem ser. E me faça lembrar disso mesmo nos dias de cólica e TPM.
E para cada dia de TPM, me dê uma vitrine de sapatos lindos em promoção!E em homenagem aos que não nasceram mulher, que toda semana eu use um salto alto, batom vermelho e me sinta a Megan Fox. E por falar nela, já que nunca pedi por milagre, que se as estrias e celulites forem inevitáveis, que venham, mas sejam discretinhas.

Quando nada é garantido, tudo é possível. Então se eu não acertar na mega sena, que pelo menos eu seja a milésima cliente a entrar numa agência de viagens e ganhar uma passagem pro Tahiti por causa disso.

Eu sei que não tenho senso de direção nenhum, mas me ajude a errar o caminho no destino certo. E se puder afastar os motoqueiros barbeiros do meu retrovisor e que meu carro esteja sempre com pneus calibrados e óleo trocado automaticamente, seria outro milagre bem-vindo, Senhor. Se por acaso eu pegar um trânsito daqueles, que eu ligue o rádio e esteja tocando minha música preferida.

Pode deixar que eu protejo meu cabelo e pele do vento e sol, mas proteja meus colares e brincos da inveja e mau olhado.

Não quero ser perfeita mas não abro mão de viver inspirada. Então, Senhor, que não me falte motivos para escrever, bons ou ruins, mas que se forem ruins, que não falte chocolate para me acalmar.

Que eu não esqueça mais das datas importantes, como o aniversário de casamento dos meus pais, porque todo ano é um problema. E que eu sempre lembre de ligar para eles aos domingos.

Cegue meus olhos para a louça suja na pia. E para os cafajestes lindos caso tentem me tirar da razão e do meu caminho.
Tampe meus ouvidos da fofoca, mas não me deixe ser a última a saber caso o Brad Pitt ficar solteiro e estiver passando férias no Brasil.

Livrai-me de todo mal e de todo vício, a não ser o vicio de academia. Que eu consiga ser persistente mesmo nos dias de chuva e de frio.

Dê firmeza aos meus seios e bunda. E também à minha voz, quando ela se fizer necessária num momento difícil.

Faça com que eu seja uma boa namorada, amiga, filha e quem sabe, mãe.

Proteja minha saúde, meu trabalho, minha família, meu intestino e meus segredos.

Sou mulher, Senhor, mas ainda não está na hora de uma mulher como a Dilma ser presidente do meu país.

Senhor, por pior que seja meu dia, faça com ele termine, e não eu.

* inspirado e baseado num texto de autora desconhecida.

A quem me lê, me ouve e me assiste,

Um beijo.

ALANA.

terça-feira, 6 de abril de 2010

METADE

Metade

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso
Mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Ah...Fernando...que Pessoa!!


Ah...como adoro Fernando Pessoa...

Poema em linha reta


Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

A quem me lê, me ouve e me assiste,

Um beijo.

Alana.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Somos Todos da Mesma Cor


Ok, eu confesso: assisto o BIG BROTHER 10! Nem sempre consigo, mas quando não assisto, pergunto a respeito do programa. Só não votei, mas torci por alguém e comemorei a saída de outrem. E não, não assinei o PPV!

Não vou negar que o programa é diversão, mas é também um grande exercício de compreender o comportamento humano. Ou de pelo menos, tentar.
Os brothers são como ratinhos de laboratório testando as mais diversas fórmulas psicológicas (ou alcoólicas) aplicadas a eles. E nós ficamos aqui, observando, rindo, nos revoltando. Mas o que está acontecendo com a nossa interpretação dos acontecimentos?

Corrijam-me se eu estiver errada: a tentativa de apresentar um big brother “colorido”, transformando a percepção do diferente como igual, foi além do que eu imagino ser a grande batalha dos verdadeiros heróis da causa GAY. Portanto, um tiro no pé.

Na minha interpretação, qualquer pré definição já é segregadora, portanto determinar que “este” big brother é gay seria como determinar que mais uma vez somos diferentes dos que irão se apresentar...o que na verdade é uma forma de descriminação.
O fato de eu ser heterossexual e não me imaginar em nenhum momento tendo uma relação amorosa ou sexual com alguém do mesmo sexo, não me impede de entender a possibilidade deste fato acontecer com outras pessoas. Respeito e muito.

Agora analise o programa: ele não é um programa colorido, ele está se apresentando como um programa promíscuo. (sem ofender quem gosta) E fica muito difícil para uma população reconhecer alguma tentativa de integração igualitária quando o programa apresenta de forma tão grosseira e promíscua o interesse de uma mulher por outra.

Apesar de Dourado estar sendo detonado pelos coloridos deste país, sinto uma certa pena dele pois acho que ele não consegue se expressar direito. A revolta dele não é contra o homossexualismo e sim, em relação à promiscuidade que se apresenta.
Tenho muitos amigos gays, bem casados ou solteiros, mas completamente integrados a qualquer setor da sociedade. Ou seja, a sua opção de companheirismo e amor não os classificam ou determinam! Mas sim seu caráter, comportamento e educação: definições que classificam um SER HUMANO!

Moral da história: por mais intuitiva que seja a opinião do povo, ela traduz: “não somos a favor nem contra os coloridos pois, para nós, eles são iguais a todos.” O que diferencia é o comportamento , e neste item, por mais que estejam bem representados individualmente, o coletivo deste programa não colabora...

A quem me lê, me ouve e me assiste,

Um beijo

ALANA

Obs: este texto foi escrito a quatro mãos com @JuniorCal